Evolução do conceito clínico de verruga peruana entre 1842 e 1871 / Evolution of the Clinical Concept of Peruvian Wart between 1842 and 1871

  • Eduardo Sugizaki Universidade Federal de São Paulo
  • Rosangela Barbiani Universidade do Vale do Rio dos Sinos
  • Fabiane Asquidamini Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Resumen

ABSTRACT

In this article, a new history of medical knowledge on Carrion's disease is presented. In a preliminary review of historiography (since 1885), we have found the following narrative nucleus (still repeated today): 1) until 'Oroya fever' appeared (1871), only an eruptive disease, the Peruvian wart, was known; 2) in 1875, Peruvian physicians proposed that Peruvian wart and Oroya fever should be the same disease; 3) in 1885, Daniel Carrión succeeded in experimentally unifying the clinical conditions when he inoculated blood from a patient of Peruvian wart in himself and died of Oroya fever; and 4) the disease was then renamed as 'Carrion's disease'. Herein, we question some of the foundations of this traditional version. The medical literature published in English, German, and French show that a global clinical description of the disease was already known in the period 1842-1871. Only the medical literature published in Spanish described the illness as an afebrile dermatosis. Obstacles to the knowledge of the disease were also found, which explain such divergence. Diversity and inconstancy of general and local symptoms (such as fever and eruptions, respectively): 1) made it difficult a comprehensive understanding of manifestations; 2) suggesting a constant complication of malaria; 3) and precluding analogy with eruptive fevers. Differently from what the traditional version suggests, these obstacles were overcome previously and independently from the appearance of the spurious notion of 'Oroya fever'. Overcoming of such obstacles was not achieved by unification of both diseases, but by perception of a coordination of manifestation of heterogeneous symptoms. Such rationalism allowed integration of symptoms that a shallow empiricism kept separated as isolated pathological phenomena, favoring clinical differential diagnosis between Peruvian wart and malaria. This epistemological study contributed to a greater understanding of mechanisms of building of nosologic unity in the Clinical Age of medicine.

RESUMEN

Neste artigo, uma nova história do conhecimento médico sobre a doença de Carrión é construída. Em uma preliminar revisão da historiografia (existente desde 1885), encontramos o seguinte núcleo narrativo (ainda reiterado, atualmente): 1) até o surgimento da ‘febre de Oroya’, em 1871, conhecia-se apenas uma doença eruptiva, a verruga peruana; 2) em 1875, a medicina peruana propôs que a verruga peruana e a febre de Oroya deviam ser a mesma doença; 3) em 1885, Daniel Carrión conseguiu experimentalmente unificar os quadros clínicos quando inoculou em si mesmo sangue de um paciente com verruga peruana e morreu com febre de Oroya; 4) a enfermidade passou a denominar-se ‘doença de Carrión’. Este artigo questiona alguns dos fundamentos desta versão tradicional. A literatura médica publicada em inglês, alemão e francês mostra que, entre 1842 e 1871, já existia a descrição clínica global da doença. Apenas a literatura médica publicada em espanhol descrevia a doença como dermatose apirética. Descobriram-se também os obstáculos ao conhecimento da doença, que explicam esta divergência. A disparidade e a inconstância dos seus sintomas, os gerais e os locais (tal como febre e erupções, respectivamente): 1) dificultavam a compreensão global de suas manifestações; 2) sugeriam uma complicação constante do paludismo; 3) e barravam a analogia com as febres eruptivas. Diferentemente do que propõe a narrativa tradicional, estes obstáculos foram superados antes e independentemente do aparecimento da noção espúria de ‘febre de Oroya’. A superação não veio pela unificação de duas doenças, mas pela percepção de uma coordenação na manifestação dos sintomas heterogêneos. Este racionalismo conseguiu integrar sintomas que um empirismo raso apartava, como fenômenos patológicos isolados, e encaminhar o diagnóstico diferencial clínico entre a verruga e o paludismo. O saldo epistemológico deste trabalho é uma maior compreensão dos mecanismos da construção da unidade nosológica, na Idade Clínica da medicina.

Biografía del autor/a

Eduardo Sugizaki, Universidade Federal de São Paulo
É licenciado e mestre em filosofia e doutor em história pela Universidade Federal de Goiás, bacharel em teologia pelo Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás, doutor em filosofia pela Universidade da Picardia Júlio Verne (França). Lecionou filosofia política e ética na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (de 1997 a 2008). Para sua participação nesta pesquisa, este autor contou com a bolsa de pós-doutormento do Programa de Bolsas Reuni de Assistência ao Ensino (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES), através do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Rosangela Barbiani, Universidade do Vale do Rio dos Sinos
É professora no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).
Fabiane Asquidamini, Universidade do Vale do Rio dos Sinos
Foi orientanda de Pós-Graduação lato sensu do Prof. Eduardo Sugizaki e, atualmente, é orientanda da Profa. Rosangela Barbiani, em Pós-Graduação stricto sensu em Saúde Coletiva, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).

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Publicado
2012-03-05
Cómo citar
Sugizaki, E., Barbiani, R., & Asquidamini, F. (2012). Evolução do conceito clínico de verruga peruana entre 1842 e 1871 / Evolution of the Clinical Concept of Peruvian Wart between 1842 and 1871. Revista Internacional De Humanidades Médicas, 1(2). Recuperado a partir de https://journals.epistemopolis.org/hmedicas/article/view/1297
Sección
Artículos