Discurso aristotélico físico e doença cardíaca na atualidade / Aristotelian Physical Address and Heart Doença na Atualidade

  • Afonso Carlos Neves Universidade Federal de São Paulo
  • Paulo Guilherme Tavares de Azevedo Universidade Federal de São Paulo

Resumen

ABSTRACT

During the 1970 and 1980 decades, studies on pathophysiology of heart failure arrived to the conclusion that some information from physical examination had great prognostic value within the evaluation of these patients. Relating to the limbs’ level of blood perfusion and its congestion or edema, these data became parameters for management of these patients in emergency rooms. The gradual compound of these elements made it possible to set four “profiles” of people with acute heart failure, known as “warm and dry”, “warm and wet”, “cold and dry” and “cold and wet”, which correspond, respectively, to the states of high perfusion-without edema, high perfusion-with edema, low perfusion-without edema and low perfusion-with edema. However, the use of the terms “warm”, “cold”, “dry” and “wet” to assess pathological states was part of the scientific discourse of Antiquity and of the Aristotle work indeed. It is our interest to debate the application of Aristotelian and also Hippocratic discourse in the understanding of these clinical subsets. Through a historic and sociologic analysis of the period in which each discourse was developed, we achieve to make hypothesis for the comings and goings processes of these terms.

RESUMO

Nas décadas de 1970 e 1980, com a publicação de diversos trabalhos na área da fisiopatologia da insuficiência cardíaca, descobriu-se que determinados dados de exame físico tinham grande valor prognóstico na avaliação de pacientes com insuficiência cardíaca aguda. Relacionados ao grau de perfusão sanguínea dos membros e ao seu inchaço ou edema, tais dados tornaram-se parâmetros para a conduta frente a esses doentes em pronto atendimento. A gradual composição desses elementos fez com que fosse possível estabelecer quatro “perfis” de doentes com insuficiência cardíaca aguda, co-nhecidos como “quente e seco”, “quente e úmido”, “frio e seco” e “frio e úmido”, que correspondem, respectivamente, aos estados de boa perfusão-sem edema, boa perfusão-com edema, baixa perfusão-sem edema e baixa perfusão-com edema. O uso dos termos “quente”, “frio”, “seco” e “úmido” para se referir a estados patológicos, entretanto, já fazia parte do discurso científico da Antiguidade e da obra de Aristóteles. Interessa-nos debater o uso do discurso aristotélico e também hipocrático no entendimento desses quadros clínicos. Através de uma análise histórica e sociológica dos períodos em que cada discurso foi elaborado, pretendemos elaborar hipóteses acerca do processo de idas e vindas desses termos.

Biografía del autor/a

Afonso Carlos Neves, Universidade Federal de São Paulo
Formou-se em Medicina pela Escola Paulista de Medicina em 1979. Fez Residência Médica em Clínica Geral e Neurologia de 1980 a 1982. Título de Mestrado em Neurologia pela Escola Paulista de Medicina em 1988, Doutorado em Neurologia pela Escola Paulista de Medicina em 1993, Pós-Doutorado em Neurologia na University of California - San Francisco em 1997-98, Doutorado em História Social da Ciência em 2008 pela FFLCH-USP. Coordenador do Setor de Neuro-Humanidades da Disciplina de Neurologia da EPM-Unifesp. Autor dos livros O Emergir do Corpo Neurológico, Humanização da Medicina e seus Mitos e das ficções Zykaron e Nereidas.
Paulo Guilherme Tavares de Azevedo, Universidade Federal de São Paulo
Médico formado pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP, atualmente é médico residente de Neurologia do Hospital São Paulo, vinculado à UNIFESP. Durante a graduação realizou pesquisas e projeto de extensão voltado para a humanização do cuidado à saúde e frequentou cursos oferecidos pelo Setor de Neuro-Humanidades da UNIFESP, tendo publicado artigos e crônicas em revistas e sites do Brasil. Atualmente tem interesse voltado para a área de Neurologia e Neuro-humanidades.

Citas

Ackerknecht, E. H. (1982). A Short History of Medicine. Baltimore: The Johns Hopkins University Press.

Braudel, F. (2004). Gramática das Civilizações. São Paulo: Martins Fontes.

Forrester, J.S., Diamond, G., Chaterjee, K. e Swan, J.C. (1976). Medical therapy of acute myocardial infarction by application of hemodynamic subsets (second of two parts). New England Journal of Medicine, 295, pp. 1404-13.

Foucault, M. (1981). As Palavras e as Coisas – Uma Arqueologia das Ciências Humanas. São Paulo: Martins Fontes.

Gensini, G.F. e Conti, A.A. (2006). Hemodynamic profiles of heart failure patients and “elementary qualities” of pre-hippocratic medicine: a hypothesis for a linguistic and epistemological relationship. Med Hypotheses, 66 (6), pp. 1246-8.

Kremer-Marietti, A. (1977). Introdução ao Pensamento de Michel Foucault. Rio de Janeiro: Zahar Editores.

Krumholz, H.M. (2013). Post-hospital syndrome – an acquired, transient condition of generalized risk. N Engl J Med, 368, pp. 100-102.

Kuhn, T. S. (2009). A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Perspectiva.

Marías, J. (2004). História da Filosofia. São Paulo: Martins Fontes.

Nohria, A., Tsang, S.W., Fang, J.C., Lewis, E.F., Jarcho, J.Á., Mudge, G.H., et al. (2003). Clinical assessment identifies hemodynamic profiles that predict outcomes in patients admitted with heart failure. J Am Coll Cardiol, 41 (10), pp. 1797-804.

Ortega y Gasset, J. (1995). ¿Qué es Filosofia? Madrid: Editorial Espasa Calpe.

Sousa, A. T. (1996). Curso de História da Medicina – Das Origens aos Fins do Século XVI. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Stevenson, L.W., Massie, B.M. e Francis, G.S. (1998). Optimizing therapy for complex or refractory heart failure: A management algorithm. Am Heart J, 135, S293-S309.

Publicado
2015-03-05
Cómo citar
Neves, A. C., & Tavares de Azevedo, P. G. (2015). Discurso aristotélico físico e doença cardíaca na atualidade / Aristotelian Physical Address and Heart Doença na Atualidade. Revista Internacional De Humanidades Médicas, 4(1). Recuperado a partir de https://journals.epistemopolis.org/hmedicas/article/view/853
Sección
Artículos